- Poluição Atmosférica - Regulamentação de nova lei
POLUIÇÃO
ATMOSFÉRICA
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Nova lei regulamenta emissões da indústria e apóia o controle
Marcelo Furtado |
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Apesar de avanços inegáveis, há ainda muito a se fazer no Brasil em controle ambiental. Isso fica claro principalmente ao se perceber situações específicas de atraso. Um exemplo ocorre com a contenção da poluição atmosférica emitida pelas chamadas fontes fixas, ou seja, as indústrias. Pode surpreender, mas apenas a partir deste ano o Brasil passou a contar com uma regulamentação nacional para embasar a fiscalização. Mais especificamente a partir de 2 de janeiro de 2007, quando foi publicada no Diário Oficial a resolução número 382 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Trata-se, porém, de fato a comemorar. Até então, apenas poucos Estados mais adiantados, com legislações ou políticas regionais, contavam com ferramentas técnicas e legais suficientes para autuar indústrias poluentes.
Fruto de um grupo de trabalho que reuniu especialistas de todo o Brasil, durante três anos, a resolução normativa, com força de lei, contempla apenas exigências para fontes novas de poluição, as indústrias a serem implantadas daqui para frente. As chamadas fontes antigas, unidades já instaladas, ainda não estão sob o escopo da nova lei. A decisão de deixar essas empresas de fora tem duas explicações: não estender em muito o período para a elaboração da nova norma e não impactar abrupta e economicamente as fiscalizadas. “O propósito é modernizar o controle ambiental do Brasil, mas de maneira parcimoniosa e não irrealista”, explicou Claudio Alonso, o coordenador do grupo de trabalho, também assessor técnico do gabinete do secretário estadual paulista do meio ambiente e com 32 anos de experiência no controle de poluição atmosférica pelo órgão ambiental de São Paulo, a Cetesb.
Essa compreensão pragmática da realidade, porém, não significa que as empresas antigas permaneçam à revelia da lei. Em primeiro lugar, informa Alonso, foi estipulado em um artigo da resolução que as unidades antigas, caso se encontrem muito distante das exigências, precisam se justificar tecnicamente aos órgãos ambientais. Caso não sejam convincentes, visto que a lei também determina que os órgãos ambientais fixem os limites máximos de emissão, podem não ter a licença ambiental renovada. O outro alerta para as fontes antigas é o fato de já ter sido instituída, pela câmara técnica do Conama, a criação de uma nova equipe para elaborar uma resolução específica para as fábricas em operação. “Isso deve sair a médio ou longo prazo, enquanto isso a nova resolução serve de preparação e aviso para elas”, complementa Alonso.
Não é correto afirmar, porém, que até o momento não se fiscalizava as emissões atmosféricas das indústrias. Algumas agências estaduais de meio ambiente supriam essa lacuna legislatória se baseando em normas internacionais nas fiscalizações e, em casos como o de São Paulo, instituindo decretos estaduais para fundamentar as exigências. Foram trabalhos como esses, por exemplo, que fizeram boa parte das emissões industriais, sobretudo de materiais particulados e SOx (óxidos de enxofre), estarem sob relativo controle no Estado paulista. O grande trunfo da nova lei é dar a ferramenta para o restante do País embasar a operação de controle e estender a preocupação de monitorar as emissões de poluentes até então relegados a um segundo plano, como os NOx (monóxido e dióxido de nitrogênio) e hidrocarbonetos.
Parcimônia – Os cuidados para não ser exigente em demasia com o setor industrial – e assim inchar ainda mais o custo produtivo das empresas já massacradas pela alta carga tributária e juros altos – nortearam a elaboração da resolução. Já de início, a restrição limitada às fontes novas representa parte da filosofia adotada. “É muito mais fácil, e menos custoso, determinar exigências para as unidades em projeto, que podem adotar tecnologias limpas, do que obrigar caras e complicadas mudanças de processos antigos”, afirma Alonso.
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Demonstra ainda essa preocupação o que Claudio Alonso denomina como margem de manobra da lei. No seu entendimento, aliás, trata-se de característica comum de todas as legislações internacionais estudadas para a criação da versão nacional. “A poluição atmosférica é muito diversa. Sua gravidade varia dependendo da região”, diz. Isso significa, em resumo, não ser aceitável tecnicamente exigir o mesmo de uma indústria localizada em uma região afastada, sem grande densidade populacional, e de uma outra localizada em uma área urbana ou já altamente industrializada. “Cubatão não é a mesma coisa que ‘Xiririca da Serra’”, brinca Alonso.
Esses pormenores fizeram a lei determinar restrições maiores a regiões consideradas de alto risco e permitir abrandamentos a outras sem grandes preocupações.
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A diretriz, influenciadora também das legislações similares européias e norte-americanas, se funda no conhecimento de que os problemas ocasionados pela poluição atmosférica são de efeito mais imediato, localizado, em um raio não maior do que 20 km da fonte poluidora. “A partir daí há diluição dos poluentes e a probabilidade de se afetar o meio ambiente e a população cai para níveis despreocupantes”, diz. E isso apesar de alguns estudos encontrarem resquícios de poluição atmosférica em regiões muito distantes de onde foram geradas. “O vento sempre vai levar residuais, mas em porcentuais insignificantes.” |
Cuca Jorge |
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| Alonso: lei leva em conta a realidade econômica do País |
NOx na lei – A nova resolução regulamentou emissões de 52 fontes fixas, de 13 tipos de indústrias, como as de vidro, cimento, de etanol e derivados, para geração de energia elétrica por gás, carvão e óleos combustíveis, queima em fornos e caldeiras, entre outras (ver texto na íntegra no site do Conama, www.mma.gov.br/conama). Para cada uma das fontes, foram fixados limites para emissão de materiais particulados, SOx e NOx, e medidas que devem ser seguidas para monitoramento das emissões. Apesar de haver tabelas para os limites máximos, a lei deixa claro sempre que o fiscalizador pode gerar limites mais restritivos caso considere importante aumentar o rigor para garantir a qualidade do ar.
Para Claudio Alonso, embora a lei seja uma inovação para o País, ela ainda demandará tempo para ver seus frutos colhidos, ou seja, para realmente obrigar uma mudança drástica de conduta das indústrias, com o investimento em grandes sistemas de despoluição. “Toda lei tem um tempo de maturação e além do mais esta é mais voltada para as novas fontes, que dependem de investimentos”, explica. “Mas acreditamos na sua força para harmonizar a base legal do resto do País com os Estados mais adiantados e com o que há de moderno no controle de poluição atmosférica.”
A “modernidade” apontada pelo assessor tem a ver principalmente com os limites máximos estabelecidos para a emissão de NOx (ver QD-443, pág.28). Considerado o poluente da vez, por ser junto com os hidrocarbonetos o precursor principal do ozônio troposférico, danoso à saúde humana e à vegetação, o monóxido e o dióxido de nitrogênio passaram a ser qualificados como poluentes controlados e têm limites lembrados em cada fonte.
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“Esta foi uma conquista que fiz questão de incluir na resolução.Tenho participado de muitos congressos internacionais e este é o assunto do momento: controlar os NOx”, ressalta Alonso.
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Cuca Jorge |
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| Cazaes: a resolução foi muito branda com os NOx |
A formação do ozônio nas camadas inferiores da atmosfera (troposfera) se dá por meio de uma complexa reação química entre hidrocarbonetos (emitidos pela evaporação de gasolina, solventes, insumos petroquímicos e pela fumaça dos carros), os NOx (resultantes de qualquer combustão) e a luz solar. Nessas condições, forma-se o chamado smog (névoa marrom), bastante visível em dias quentes de cidades grandes como São Paulo. A camada poluente é identificada como uma massa oxidante fotoquímica e causa vários prejuízos à saúde humana, desde a irritação nos olhos e vias respiratórias até a destruição dos cílios das vias aéreas, responsáveis pela primeira filtragem das impurezas do ar. Isso aumenta o risco de agravamento de doenças respiratórias e alérgicas, como rinite, otite, sinusite e, ainda, bronquite e pneumonia. Além disso, a ação oxidante do ozônio também reduz a capacidade de crescimento das plantas, aumenta sua vulnerabilidade a insetos e causa problemas de pigmentação, alterando a fotossíntese.
Os perigos do ozônio troposférico são largamente estudados pelo mundo e motivam as crescentes restrições aos seus precursores. Nesse sentido, mesmo que a nova resolução tenha contemplado seu controle, o Brasil ainda se demonstra tímido nas exigências em comparação com o que ocorre nos países desenvolvidos. Na avaliação de fornecedores de sistemas de despoluição, os limites máximos de emissão de NOx ainda são suaves e não demandariam investimentos em equipamentos específicos para esse propósito. Isso porque enquanto na Europa os limites estão na faixa de 100 mg a 200 mg/Nm3, a resolução brasileira oscila de 300 mg até mais de 1.000 mg/Nm3 em alguns casos, sendo que na média as exigências ficam em torno de 500 mg/Nm3.
Muito branda – Wilton Cazaes, o superintendente da Centroprojekt do Brasil, fornecedora exclusiva no País de sistemas de despoluição do ar da empresa suíça Elex, é um dos executivos do setor que consideram branda a nova resolução. Para ele, apesar de as empresas ainda estarem estudando os efeitos da nova legislação, as primeiras impressões, em avaliações com os clientes, são as de que ela poderia ter sido mais rigorosa com as emissões de NOx. “Os limites máximos estão muito altos”, diz Cazaes.
Segundo o superintendente, de início, ao saberem que o NOx seria mais restringido, muitos clientes passaram a cogitar a instalação futura dos sistemas catalíticos DeNOx, os mais empregados mundialmente na aplicação e fornecidos entre outras empresas pela suíça Elex. Mas, depois de uma melhor avaliação, a constatação foi a de que, na maioria dos casos, o simples emprego de queimadores com baixa emissão de NOx, em sistemas de combustão, já atenderia às exigências.
Cazaes acredita, porém, que a tendência é a resolução passar por revisões, quando os limites devem cair. Aí sim, para ele, ocorrerá como na Europa. Lá, e ainda nos Estados Unidos, com os limites mais baixos, muitas empresas precisam desembolsar o investimento nos catalisadores. Não é por outro motivo que a Elex já vendeu mais de 30 desses sistemas na Europa, principalmente para controle de NOx em incineradores e fornos de cimento.
DeNox pioneiro – Os sistemas DeNOx são dominados por algumas empresas internacionais especializadas e de maneira geral são baseados na redução catalítica dos óxidos de nitrogênio (processo SCR, selective catalytic reaction). O processo se baseia na injeção de amônia gasosa (NH3) no fluxo dos gases para transformar no contato com a superfície do catalisador (normalmente vanádio) os NOx das emissões em dois componentes: nitrogênio e água.
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A amônia é misturada no fluxo gasoso antes de entrar no reator e, por um sistema de divisórias, passa em partes iguais para percorrer as diversas camadas do catalisador. As reações de despoluição do NO e NO2 são as seguintes:
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Cuca Jorge |
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| Schwarz: investimentos feito no DeNox já se pagou |
Embora já esteja disponível no Brasil por quase uma dezena de empresas, e com perspectiva de ser usada com mais freqüência, a exemplo do que ocorre no Primeiro Mundo, são pouquíssimas as instalações do processo SCR no País, muito por causa da incipiência local na discussão do tema. De conhecimento público, apenas duas empresas contam com unidades de DeNOx: a Basf, de Guaratinguetá-SP, e a Clariant, de Suzano-SP.
:Não por menos dois grandes grupos químicos globais com política ambiental rígida, com tendência a se adiantar a medidas restritivas.
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Cuca Jorge |
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| Takashi: estudo de tecnologia e opção pelo SCR |
O caso da Clariant tem significância por já estar em uma fase em que os resultados da obra podem ser mensurados e classificados como uma iniciativa de bastante sucesso.
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4 NO + 4 NH3 + O2 catalisador -> 4 N2 + 6 H2O 2 NO2 + 4 NH3 + O2 catalisador -> 3 N2 + 6 H2O |
O projeto foi iniciado em 2003, quando os responsáveis pela operação da unidade de aminas graxas situada dentro do condomínio industrial do grupo suíço em Suzano se viram diante de um dilema: dimensionar o tratamento de emissões gasosas necessário para comportar a ampliação da produção. Naquele momento, todas as emissões (a maior parte delas de produtos nitrogenados) da fábrica seguiam para oxidação térmica no incinerador de sólidos, líquidos e gasosos do grupo, instalado dentro do complexo industrial e operado para atender não apenas a demandas internas como de terceiros.
Ocorre que, segundo lembra o diretor de tecnologia e produção da Clariant, Manfred Schwarz, a maior quantidade de gases emitidos pela ampliação não poderia ser atendida pelo incinerador, que opera há alguns anos no limite de sua capacidade, graças à grande demanda e à baixa oferta desses sistemas no Brasil. A primeira alternativa aí, explica Schwarz, seria retomar a tecnologia empregada anteriormente, ou seja, a de lavadores de gases, que naquela época era mantida apenas como stand-by para momentos de parada ou de insuficiência do incinerador.
“Mas os lavadores de gases estão longe do estado-da-arte do controle atmosférico”, ressalta o diretor. Isso por um motivo muito óbvio: ao utilizar água e ácido para “lavar” os gases em um scrubber a tecnologia gera uma quantidade imensa de efluentes líquidos. “Isso é apenas uma transferência de problema. O que era gerado no ar seguia para a estação de tratamento de efluentes para ser adequado”, completa Schwarz. Essa constatação também se confrontava com a política global de meio ambiente da Clariant, de acordo com ele, a qual orienta a escolha pela tecnologia necessária para atender às exigências mais restritivas.
Foi a partir daí que o DeNOx passou a ser considerado, recorda o engenheiro químico responsável pela área na época, Ricardo Takashi. “Avaliamos várias alternativas de tecnologia, com e sem catalisador, já empregadas pela Clariant no mundo ou não, e chegamos à conclusão de que o melhor seria o DeNOx”, diz. Depois de um ano de projeto, e a definição por um fornecedor da tecnologia, a alemã Steuler (com filial em Guarulhos-SP), em junho de 2004 foi dada a partida no novo sistema de controle das emissões gasosas oriundas da produção das aminas graxas.
Vapor barato – O equipamento da Clariant, projetado para atender a uma vazão de 600 Nm3/h, elimina primeiramente, em uma câmara de combustão, gases de hidrogênio, amônia, DMA (dimetilamina) e VOCs (compostos orgânicos voláteis). Os NOx destruídos no catalisador são resultantes dessa etapa do sistema de despoluição.
Na verdade, o sistema instalado, cuja engenharia foi da própria Clariant, se inicia com um sistema de separação de gotículas de líquidos provenientes da exaustão dos gases. Isso é necessário para evitar líquidos na câmara de combustão, onde os gases são oxidados a 800ºC, e assim não provocar o risco de explosão.
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Cuca Jorge |
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| Aichele: caldeira resfria os gases e ainda gera vapor |
Depois da oxidação térmica, é necessário resfriar os gases para permitir a sua passagem pelo reator catalítico, que opera de 220ºC a 350ºC, faixa de temperatura de estabilidade térmica da cerâmica, onde há a reação de redução dos NOx gerados na combustão. A opção aí, segundo explicou o gerente do centro de engenharia da Clariant, Philipp Aichele, foi incluir uma caldeira para o resfriamento. Pois com essa etapa se tornou possível outro grande mérito do projeto, além do ambiental. A caldeira passou a gerar de 1,5 a 2 t de vapor por hora, empregado hoje na produção da unidade, o que representou uma economia substancial de energia.
Após a passagem pela caldeira, há a injeção de gás de amônia, vindo da própria produção da unidade de aminas graxas, o qual é misturado nos gases resfriados contaminados com NOx.
| Daí seguem para passagem nos módulos de vanádio, dispostos em blocos de 15 cm X 30 cm cada, enfileirados dentro do reator catalítico sob bases cerâmicas. Após isso, a emissão, controlada por um sensor de monitoramento de NOx, sai pela chaminé como nitrogênio e vapor de água. “O controle demonstra que a emissão de gases poluentes é zero”, comemora Manfred Schwarz. |
Cuca Jorge |
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| Câmara de combustão (esq.) oxida os gases antes do DeNox (dir.) |
Além dos ganhos ambientais, e do adiantamento da Clariant com possíveis recrudescimentos em torno das emissões de NOx, que Schwarz considera inevitáveis, o vapor resultante do resfriamento dos gases oxidados foi comemorado dentro do grupo como a primeira experiência do gênero em todas as suas unidades pelo mundo. Também não é para menos: depois desses dois anos de operação, embora a empresa prefira não revelar valores, o projeto se pagou. “A tecnologia de controle de NOx, apesar de muitas empresas considerarem como um custo a mais, na verdade pode ser economicamente atraente e viável”, diz. Portanto, a argumentação de ser “irrealista” exigir a redução desses poluentes atmosféricos no Brasil em alguns casos pode não corresponder tanto assim à verdade.
| Fornecedores vendem mais sistemas de controle de particulados e SOx |
Enquanto os negócios com os equipamentos DeNOx não acontecem, os fornecedores de sistemas antidespoluição do ar sobrevivem vendendo tecnologias para controle de outros poluentes atmosféricos. A Centroprojekt, tradicional em grandes sistemas para tratamento de águas e efluentes e com tecnologia suíça para DeNOx, atua no “ar” principalmente na venda de sistemas para materiais particulados, com uma linha de precipitadores eletrostáticos e filtros híbridos. Na área há apenas dois anos, desde quando formalizou o acordo com a Elex, a empresa conseguiu ganhar importantes concorrências para controle de materiais particulados na indústria siderúrgica, fornecendo precipitadores eletrostáticos em consórcios com a empresa alemã especializada em usinas de pelotização, a Outokumpu.
Na primeira das licitações, em Anchieta-ES, na Samarco, da Companhia do Vale do Rio Doce (CVRD), produtora de pelotes de minério, foram fornecidos quatro grandes precipitadores, em instalação no momento e com capacidade de vazão de gás de cerca de 15 mil Nm3/min cada.
Além dessa concorrência vencida em novembro de 2005, a Centroprojekt-Elex venceu outra um ano depois na planta de pelotização MBR, também da CVRD, em Itabiritos-MG, onde foram vendidos mais quatro grandes precipitadores.
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Cuca Jorge |
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| Ett: expectativa de vender mais dois DeNOX |
Com mais de sete mil precipitadores instalados em todo o mundo, a Elex projeta sistemas com capacidade para reduzir a emissão de particulados até baixíssimos 5 mg/Nm3. Só para se ter uma idéia, a Suíça apenas em áreas muito industrializadas estipula o limite máximo de 10 mg/Nm3. Em São Paulo, o Estado mais rigoroso do País, em algumas localidades, impõe a meta de 50 mg/Nm3. Segundo o superintendente Wilton Cazaes, a boa capacidade dos sistemas da Elex, uma das pioneiras mundiais em precipitadores eletrostáticos, se explica pelo uso de internos diferenciados, com eletrodos rígidos inquebráveis, e na engenharia de fluidos para distribuir os gases na velocidade certa e uniformemente pelas células e campos eletrostáticos que farão as placas coletoras reterem o pó dos gases.
A eficiência de retenção dos pós, normalmente reciclados na indústria siderúrgica, é de 99,99%. De forma geral, os precipitadores são empregados em altas temperaturas, até 400ºC. Quando esse valor cai para até 200ºC o uso recai mais sobre os filtros manga. Nesses casos, aliás, a Elex promove recuperações de precipitadores, para torná-los em parte de sua concepção um filtro de manga. São os denominados filtros híbridos, vendidos no Brasil em dois serviços no Sul do País e outro no Nordeste. Os sistemas para particulados, para Cazaes, devem ver suas vendas aumentadas em virtude da nova resolução, fazendo com que o Brasil colabore mais com as vendas globais da Elex, que chegaram a 70 precipitadores eletrostáticos em 2006.
Sistemas completos – A fornecedora do sistema pioneiro de DeNox na unidade da Clariant, em Suzano-SP, a alemã Steuler, prevê mais vendas para breve desses avançados equipamentos. Segundo afirmou o gerente de marketing, Arno Ett, a expectativa é de fechar a venda de mais dois sistemas catalíticos no Brasil (no exterior já contam centenas), possivelmente agregados com outros equipamentos para controle de emissão de particulados e SOx, cujas tecnologias a Steuler também domina.
Aliás, é comum nos fornecimentos da empresa, por todo o mundo, projetar linhas completas de controle de poluição atmosférica.
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Divulgação
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| Precipitador (esq.) e filtro híbridos: fornecimentos recentes no País |
De modo geral, elas começam com sistemas de separação de pó e condicionamento de gás de combustão, o qual consiste em um spray com quencher para diluir o resíduo e tratar o gás de combustão para o filtro eletrostático, para separação de pó, sais, metais e fuligem com separação simultânea de poluentes gasosos por dosagem de aditivos.
Depois da primeira etapa, já com os gases de combustão resfriados por um quencher, podem ser oferecidas diferentes tecnologias de lavadores de gases, para absorção de poluentes por meio do uso de soluções com NaOH, Na2CO3, CaO, Ca(OH)2 ou CaCO3. Nessa fase, há alta redução de poluentes e metais pesados e conversão deles em subprodutos reutilizáveis. Na seqüência, como fornecedora de sistemas para tratamento de água e efluentes, a Steuler pode projetar sistemas para separar e desidratar gesso, neutralizar, filtrar e precipitar metais pesados ou empregar osmose reversa e eletrodiálise para separação de sais e recuperação de água, ou ainda de eletrodiálise com membrana bipolar para separar os sais no respectivo ácido e base durante a recuperação do absorvente.
Por fim, entram no circuito completo os catalisadores SCR da Steuler, que reduzem não apenas o NOx como CO, CH e dioxinas em seus componentes naturais: nitrogênio, dióxido de carbono e água. Nesse caso, conforme diz Arno Ett, os catalisadores da Steuler são totalmente recicláveis e podem ser usados para fabricar novos catalisadores ou serem adicionados a compostos na indústria de vidros ou de cimento. Além da amônia, o agente redutor pode ser a uréia em algumas aplicações. Sem produção de resíduos, e adequado para uma ampla faixa de temperaturas (de 270º a 525ºC), com decomposição simultânea de dioxinas e furanos, um sistema desse tipo tem preço médio de 5 milhões de euros, segundo Ett.
Ainda de acordo com o gerente da Steuler, um mercado com potencial de crescimento para breve em controle atmosférico é o de usinas térmicas de carvão, geração considerada bastante poluente. Isso porque há planos de alguns projetos sobretudo no sul do País, onde há disponibilidade de carvão e em virtude das dificuldades ultimamente impostas para concessão de licença para construção de hidrelétricas. Uma boa e uma má notícia, aliás, uma vez que gera negócios para equipamentos de controle ambiental, mas representa um atraso para a matriz energética do País.
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Empresa controla odor e economiza com vapor |
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Mesmo não sendo uma emissão tóxica ou diretamente prejudicial à saúde humana e ao meio ambiente, o odor provocado pela produção industrial também pode ser considerado poluição atmosférica, pelo incômodo que causa na vizinhança. Até mesmo por seus efeitos serem mais perceptíveis do que os de alguns poluentes tóxicos, costuma suscitar muitas reclamações e em conseqüência ações dos órgãos ambientais.
Esse ciclo, iniciado com o odor desagradável e a reclamação, culmina, muitas vezes, em soluções tecnológicas interessantes, desenvolvidas pelas indústrias em comum acordo com as agências de controle ambiental. Vale como exemplo o ocorrido com a fábrica de aromas alimentícios e fragrâncias Firmenich, empresa de origem suíça com filial brasileira em Cotia-SP.
Em 2001, depois de avaliar as reclamações vindas principalmente de moradores de condomínios de classe média alta da Granja Viana, bairro de Cotia, que chegaram até os ouvidos da Cetesb, a empresa decidiu dar cabo da geração de odores vindos de sua unidade de aromas em pó. A queixa maior era sobre os adocicados, em específico os cítricos, com moléculas mais persistentes e difíceis de diluição no ar.
Depois da avaliação de algumas tecnologias, entre elas lavadores de gases e a dispersão por turbina dos odores, a Firmenich decidiu instalar um sistema de termooxidação dos gases dos odores. Denominado pela empresa internamente como incinerador, trata-se de uma câmara de combustão a 800ºC, na qual os odores, em tempo de residência de 1,5 segundo (o triplo do necessário pelo projeto), passam para ser oxidados. Além de ter solucionado o problema, extinguindo o odor que também desagradava os trabalhadores da fábrica, o projeto possibilitou que no ano passado a Firmenich passasse a ter ganhos econômicos com economia de energia.
Isso porque até 2006 a empresa apenas queimava os gases odoríficos com o forno alimentado por GLP. Mas a energia gerada pela oxidação dos gases era apenas direcionada para a chaminé. Em uma nova fase da tecnologia, todos os gases oxidados passaram a ir para uma caldeira de recuperação de energia que, desde agosto de 2006, passou a fornecer 2,5 t por hora de vapor à fábrica.
“Ganhamos muito com a economia de combustível para o incinerador e com o vapor co-gerado”, comemora o gerente de meio ambiente, saúde e segurança da Firmenich, Max Araújo. Em combustível, é bom ressaltar, a empresa deixou de consumir o caro GLP, pois trocou a matriz para óleo BPF, com baixo teor de enxofre, que agora alimenta o forno. E deixou de empregar o BPF até então usado para alimentar suas caldeiras agora mantidas apenas como stand-by da co-geração de energia. Está aí mais um exemplo de que investir em meio ambiente pode render ganhos mais “palpáveis” para a indústria. |

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Cuca Jorge |
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Araújo: termoxidação de aromas aproveita em caldeira |